quinta-feira, 15 de junho de 2017

“ A QUEM FOI DADO, MAIS SERÁ EXIGIDO” ( by Alsibar)



Hoje é dia de Corpus Christi, por coincidência, ontem vi uma postagem no Facebook sobre a supracitada máxima de Jesus. Resolvi me posicionar no post e isso gerou uma série de controvérsias e comentários. Felizmente,  a conversa se revelou muito frutífera no final: além de fazer novos amigos, me pediram autorização pra usar o diálogo  em um grupo de estudos- o que foi uma honra pra mim . Hoje cedinho, durante minha caminhada meditativa, me veio uma grande vontade  de escrever alguns artigos sobre as máximas mais “intrigantes” de Jesus com o intuito de ajudar aqueles que  sinceramente buscam entender melhor as misteriosas palavras do Mestre Nazareno. Boa leitura e aprendizado!

“ Mas àquele a quem muito foi dado , muito lhe será exigido;  e  àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas 12:48)

Essa afirmação foi dita por Jesus Cristo no final da parábola do Servo Vigilante e considero-a  uma das frases mais verdadeiras, profundas e intrigantes que eu já tivera conhecimento. Pra entendê-la melhor, é necessário compreender uma peculiaridade da parábola: ela tem vários níveis de entendimento e compreensão.

Em um nível mais superficial, fica-se com a impressão de que Deus é uma espécie de Senhor exigente , durão e carrasco. Esse tipo de compreensão superficial atende à mentalidade mediana das massas em geral. Eles entenderão que Deus exige vigilância constante dos seus servos em relação à obediência dos seus preceitos e ensinamentos- do contrário poderão ser “pegos” de surpresa, numa morte súbita ou na vinda repentina do Apocalipse. Nesse nível de compreensão, o medo funciona como freio de más condutas  e negligência.  Há pessoas que só entendem a linguagem do medo, precisam dele como freio para impor-lhes os devidos limites.

Todavia, em um nível mais profundo a parábola revela outras nuances e significados que dispensam o medo. É ai que percebe-se:  Jesus não está falando de coisas materiais, nem mesmo de regras de conduta moral ou religiosa- mas sim de vigilância no sentido da meditação  que leva ao conhecimento e faz surgir a sabedoria. A   parábola usa termos como  Vigilância , Conhecimento , Saber... constituindo, portanto, as chaves que revelam o sentido oculto e mais profundo da mesma.

Os servos relapsos e imprudentes são todos aqueles que conhecem a Verdade sobre si mesmas ou sobre o Universo- independente de religião- mas não a vive, nem se beneficia dela. Os servos prudentes são todos aqueles que empreenderam a viagem interior através da oração e da meditação ( Orai e Vigiai) e lá encontraram o Reino de Deus , podendo, assim, usufruir de uma vida plena e abundante pelo conhecimento da Verdade. Quando ele diz no final: "a quem mais foi dado, muito lhe será exigido" Ele está falando do verdadeiro conhecimento, da consciência, do autoconhecimento. Em outras palavras : aquele que tem mais conhecimento, maior é o seu dever e sua responsabilidade para consigo mesmo- sua própria consciência iluminada- e os demais.

Obviamente, aquele que tem menos conhecimento, de si mesmo, das leis da natureza, de Deus etc etc... Não se pode exigir muito. Uma pessoa, por exemplo, criada num meio religioso de valores e regras ultrapassadas ou absurdas- que não teve chances de conhecer outros valores mais nobres, certamente lhe será dado um desconto. É como uma criança que comete uma travessura a
primeira vez. Os pais sensatos e prudentes, devem dar  um desconto,  afinal, ela- a criança-  não tinha como saber que o que fez era uma travessura perigosa , arriscada ou danosa. Agora, depois que ela foi ensinada e lhe foi mostrado que  ela não pode, por exemplo, derramar o xampu, ou jogar água no papel higiênico, ou botar o dedo na tomada... Se depois de conhecer o que é certo, ela escolher fazer o errado- aí sim, é possível e justo cobrar e punir. O tipo de punição deve levar em conta sempre a gravidade da travessura e o lado pedagógico- do contrário- não fará sentido.

Ou seja, só posso cobrar de quem tem o conhecimento do certo e do errado. E quanto maior for esse conhecimento, maior a responsabilidade, e, portanto, a "cobrança" . Sei disso com propriedade pois tenho uma filha de três anos e uso desse critério pra decidir se a travessura é passível de punição ou não. Me questiono: ela sabia o que estava fazendo? Tinha consciência do erro? Eu já havia mostrado e ensinado a ela que este ou aquele comportamento era “errado”? Só então é possível avaliar se é cabível ou não uma “punição” com valor pedagógico ou educativo- ou não. E se sim, o tipo e a extensão dessa punição. Algumas pessoas defendem a palmada, outras não. Eu acho que a palmada só em casos extremos, quando, por exemplo, a criança tem a mania de querer meter o dedo na tomada. É melhor uma palmada, não acha?

Por outro lado, aqueles que tem o conhecimento da verdade, e que de alguma forma tiveram acesso a esse conhecimento, seja através de leituras, pelas orientações dos mestres e familiares,  pela sabedoria adquirida ao longo da vida, pelas experiências, pelo autoconhecimento, pela Meditação etc. - esses tem uma responsabilidade muito maior diante do trono de sua própria consciência. Estes, certamente, serão devidamente cobrados, na medida de seus conhecimentos.

"A quem mais foi dado, mais será exigido"- não por um Deus cruel e soberano que fica em seu trono esperando maquiavelicamente a hora de julgar e punir, mas pela sua própria consciência expandida pelo acesso a conhecimentos cada vez mais profundos e valiosos. Quem começa a trilhar o caminho da meditação e do autoconhecimento  não pode esquecer que conhecer é poder. E que, quanto maior for o poder, maior será a responsabilidade e a cobrança.

Namastê!

Alsibar 

Repostagem autorizada, desde que devidamente referenciada com nome do autor, fonte e endereço eletrônico.
All Rights Reserveds by Alsibar, Fortaleza, Ceará , Brazil- 2017


sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CASTANHOLA E A CONSCIÊNCIA


O que tem a ver uma castanhola com a Consciência ?  À primeira vista, talvez, nada. Mas antes de começar meu relato deixe-me falar aos leitores que talvez não conheçam deste fruto, para situá-los melhor.  Aqui no Ceará tem uma fruta muito comum conhecida pelo nome de castanhola. Ela é frondosa, alta e o fruto de um sabor muito peculiar. O Juazeiro do Norte de antigamente era rico em “pés de castanhola”. Cada rua, cada quarteirão tinha muitos , talvez por causa da sombra convidativa e neutralizadora dos efeitos do Sol escaldante.

As crianças faziam a festa comendo dessas frutas. Quantas vezes não sentávamos no chão, pernas abertas com uma bacia cheia de castanholas entre elas- comendo até se “empanturrar”. Atualmente nem me lembro mais do sabor delas. Mas veio-me à mente um fato crucial na minha infância, relacionado à castanhola, que marcou para sempre a minha vida.

Não lembro qual idade eu tinha. Mas com certeza era menos de nove . Talvez uns sete ou oito. Éramos um grupo de três: eu, minha prima Ivana Lígia e meu primo Júlio, a quem chamávamos de Neto. Estávamos andando os três na rua Padre Cícero quando, de repente cai uma  castanhola próximo a gente. Um de nós correu para pegar. Era só uma castanhola que tinha que ser dividida pra três . Eu sempre fui muito matreiro. Convenci-os a comer a minha parte primeiro. O problema é que comi a castanhola quase toda. Não deixando quase nada pros outros dois. Naquela época meus instintos eram muito apurados, principalmente os da gula. Eu era famoso na família. Comia tanto que até me chamavam de “ Esmeril” ( instrumento de afiar ferramentas).

Minha prima olhou para a castanhola quase toda comida, fitou-me  furiosa e fez uma pergunta num tom de voz que  até hoje ecoa nos meus ouvidos :

- Menino , tu não tem consciência não?????

Eu lá sabia o que era isso. Mas aquela palavra brilhou como um estalo na minha mente. Foi a partir daquele momento que eu aprendi que havia algo chamado Consciência. Obviamente, o sentido que ela usou foi de “ consciência do que é justo”. Ou seja, um sentido interno que nos leva a fazer algo correto, simplesmente por sê-lo. No caso específico o de partilhar com justiça a fruta em disputa. Eu me lembro que na hora fiquei paralisado. Minha mente parou. Fiquei perdido, confuso e me sentindo super mal. Mas aquela palavra nunca mais saiu da minha cabeça. Nunca mais. A palavra “consciência” virou um mote, um mantra  que passou a fazer parte da minha visão de mundo desde então.

Não é que deixei de ser danado , comilão ou passei a ter consciência  moral, ética e de justiça de uma hora pra outra. Mas aquela palavra me deu algo novo que até então eu não conhecia: a de que  você deve fazer o certo independente dos outros estarem olhando ou não.  É exatamente quando ninguém está olhando que você deve fazer o certo, apenas por que intimamente você sabe que é o que deve ser feito. Isso é a tal da consciência.

Daí por diante essa palavra fez morada em mim. E ao longo dos anos foi tomando novas nuances , sentidos e importância. Hoje sei que existe essa consciência ética e moral que vem do íntimo de cada um. Não estou dizendo que tenho esse sentido aperfeiçoado em mim, mas busco aperfeiçoá-la cada vez mais e aplicá-la no meu dia-a-dia. Nem sempre consigo , mas tento. Por exemplo, evito jogar papel ou lixo na rua- mesmo quando ninguém tá vendo- por estar consciente que isso prejudica a todos. Mas sei que nem  sempre consigo, ou obedeço a essa consciência.

O outro sentido da palavra consciência- e que é fundamental pra mim- é o de se estar consciente, alerta, vigilante, totalmente atento ao presente, ao que acontece no aqui agora. É a mesma palavra que ouvi da minha prima na infância, mas com o sentido ampliado. Estar consciente ou ter consciência de si, é o caminho para se alcançar uma Consciência maior, ou Consciência Suprema também chamada de  Deus.

Agradeço à minha família, meu avô, avó , tias e tios e também aos meus primos e primas que tanto contribuíram para que eu tomasse consciência do mundo e de mim mesmo. Eles ajudaram a regar o meu jardim, jogando sementes  que mais tarde brotariam e me fariam ser o homem que sou hoje: crítico, consciente- mas humano e falho como todos os outros. 

Nessa perspectiva da jornada interior, de ampliação e amadurecimento da consciência  , minha prima foi usada por Deus pra me dar meu primeiro "choque de consciência" , sendo assim foi, de uma certa forma, minha primeira Mestra.
Júlio, Lígia , Eu (topete) e nossa amada tia Yesus Barbosa 

Obrigado! Muito Obrigado!

Alsibar
2017






sábado, 16 de janeiro de 2016

JOHN MAIN - O PADRE "ADVAITA" * E O RESGATE DA MEDITAÇÃO CRISTÃ



“Somente na união conhecemos plenamente o que somos. A tarefa central de nossa vida, na visão cristã, consiste em nos inserirmos na união, em entrarmos em comunhão. Colocar isso dentro do ponto de vista do qual nós, na maioria, partimos, significa superar todo dualismo, toda divisão dentro de nós mesmos e superar a alienação que nos separa dos outros. Foi o dualismo que caracterizou as heresias, heresias que ameaçaram destruir a delicada centralidade, o equilíbrio sadio da perspectiva cristã. É o dualismo, igualmente, que cria para cada um de nós, a alternativa impossível e irrealista do “ou isso ou aquilo”, que provoca tanta angústia desnecessária: Deus ou o homem, amor a si próprio ou ao próximo, claustro ou praça pública." John Main OSB


 Confesso que não conhecia nada de John Main nem de Meditação Cristã até meados do ano retrasado: 2014. Mas pelos caminhos aparentemente casuais do destino, começamos um grupo de meditação sem grandes perspectivas ou expectativas. Pouco tempo depois, soubemos da existência de um movimento mundial de meditação cristã e de um padre católico, monge beneditino, que deu início a um movimento mundial que tem como fundamento a prática da verdadeira meditação. Algo realmente perturbador e desconhecido da maioria das  pessoas- incluindo católicos e espiritualistas.

John Main é considerado hoje um grande mestre, não somente pelos seus discípulos e admiradores mais diretos, mas por mestres e líderes de várias religiões. Seu movimento faz ressurgir no seio do catolicismo uma perspectiva nova de tolerância, respeito e interação entre as religiões, enfatizando o que elas têm em comum- mas preservando e respeitando suas diferenças e peculiaridades. A prática da meditação une as pessoas por ser universal, eterna e comum a todos os homens e credos. Talvez você fique surpreso em saber que sempre houve uma tradição de meditação no seio do catolicismo.

Desde suas raízes históricas que remontam ao judaísmo, passando por Jesus e pelos chamados Padres do Deserto ( notadamente João Cassiano e Dionísio - o Areopagita) , sem esquecer grandes místicos defensores da meditação como Santa Tereza D´ávila, São João da Cruz , São Francisco de Assis e mais recentemente, Padre Pio- John Main teve a grata missão de retomar essa tradição , sistematizá-la,  aprofundá-la e popularizá-la através da organização de grupos no mundo todo- hoje sob a coordenação de seu discípulo direto Laurence Freeman.

Laurence Freeman
A meditação cristã é muito simples e tem vários níveis de interiorização e complexidade- assim como  as  práticas  orientais similares. À primeira vista, pode parecer uma abordagem superficial, mas à medida em que nos aprofundamos, percebemos que não é bem assim. John Main foi iniciado em meditação por um discípulo do grande mestre hindu Ramakrishna. Aprendeu técnicas simples e as praticou. Apesar de ter sido repreendido por seu chefe direto de que aquilo não era uma prática cristã – o que lhe fez parar com as práticas- ele as retomou ao reencontrar por acaso as bases cristãs da meditação nas Crônicas de Cassiano e de outros grandes nomes católico-cristãos. Tendo em vista que a meditação é uma prática dominada por termos e expressões orientais- devido as suas origens históricas- um dos maiores desafios de Main foi  estabelecer equivalências entre os elementos  da tradição cristã e das tradições orientais  que pudessem expressar aspectos cruciais da meditação sem fugir muito da ótica cristã, nem dos seus conceitos essenciais.

Assim,  a jaculatória cristã equivale  aos mantras orientais. Conceitos como paz interior, silêncio, quietude e autoconhecimento são abundantes em toda a tradição católico-cristã, desde o  antigo testamento, nos evangelhos e na história dos grandes místicos cristãos. Até mesmo a “pausa” na respiração- um estado raro descrito pelos grandes iogues, mas facilmente perceptível em meditação profunda- também é ensinada como o clímax da meditação. Uma “ amostra grátis da Eternidade” como cita o Padre Domingos Cunha- o maior divulgador da meditação cristã  em Fortaleza e talvez do Brasil. Ou seja, todos os elementos fundamentais das grandes tradições meditativas como a Hindu, Budista e Taoísta estão presentes também na Meditação Cristã- em nada deixando a desejar.

Deixo vocês com a biografia desse grande mestre espiritual para que todos conheçam e, se possível, pratiquem a meditação. Procure um grupo próximo a sua casa ou funde um. No site da comunidade mundial de meditação cristã você encontra endereços e contatos de grupos além de orientações básicas sobre meditação ( adicionei no final as orientações básicas, retiradas do site da comunidade).

Paz e Graça!

Alsibar

Glossário:

* Advaita- vem de a(não) dvaita ( dualismo), ou seja : não-dualista, que prega o caminho da união, comunhão, superação da dualidade.
                                                                JOHN MAIN OSB 

John Main OSB (1926-1982) tem sido reconhecido mundialmente como um dos mestres espirituais mais importantes do nosso tempo, cuja influência continua a se expandir. Ele tem ajudado muitos cristãos de todas as tradições a começar uma exploração 'pela sua própria experiência' da dimensão contemplativa da sua fé. Ele providenciou um ponto de re-entrada para aqueles que tinham deixado a sua tradição, a fim de encontrar esta profundidade fora dela. E ele ajudou a desenvolver pontes fortes entre o cristianismo e outras tradições de fé.

Batizado com o nome de Douglas Main, ele nasceu em Londres a 21 de Janeiro de 1926. Suas raízes estavam em Co Kerry, na Irlanda. Tendo sido educado na Escola de Westminster Choir e pelos jesuítas em Stamford Hill, Londres, ele fez o serviço militar nos Royal Signals no fim da guerra, e depois disso juntou-se ao Cónegos Regulares Lateranenses por um curto período. Saiu, estudou Direito na Universidade de Trinity, em Dublin, e depois juntou-se do serviço diplomático britânico e estudou chinês na SOAS, em Londres.

É colocado no gabinete do Governador Geral da Malásia, durante a Emergência. As suas funções levaram-no um dia a conhecer um monge indiano e Juiz de Paz, o Swami Satyananda. Foi com ele que aprendeu a meditar e assumiu a disciplina do silêncio, quietude e simplicidade como parte de sua fé cristã e da sua oração diária.

Quando voltou para o Ocidente tornou-se professor de Direito Internacional na Universidade de Trinity, continuando a meditar como parte de sua vida espiritual cristã. Em 1958, ele se tornou um monge beneditino na Abadia de Ealing, em Londres. Foi-lhe pedido que desistisse da prática da meditação, uma vez que não foi reconhecida, então, como uma forma cristã de oração.

No entanto, quando era diretor da escola da Abadia de Santo Anselmo, em Washington DC, em 1969, John Main foi levado a fazer um novo estudo sobre as raízes da sua própria tradição monástica cristã. Nas Conferências de João Cassiano e nos ensinamentos dos Padres do Deserto, ele encontrou a expressão cristã da mesma forma de meditação que tinha aprendido no Oriente. Agora reconhecendo o ensinamento e a necessidade urgente da meditação para o mundo moderno, começou a praticar novamente.

Em 1975, ele abriu o primeiro Centro de Meditação Cristã na Abadia de Ealing, em Londres e começou o que viria a ser a missão culminante da sua busca, que o acompanhou toda a vida, por Deus, e serviço aos outros. Percebendo que esta forma de oração do coração poderia orientar a busca de muitas pessoas modernas por uma mais profunda experiência espiritual, ele recomendou dois períodos diários regulares de meditação que deveriam ser integrados nas práticas habituais da vida cristã. No seu ensinamento, ele enfatizou a simplicidade e a universalidade da prática da meditação, assim como, o reconhecimento do fato de esta ser uma disciplina.

Aceitou o convite do Arcebispo de Montreal para estabelecer um Mosteiro Beneditino dedicado especificamente à prática e ao ensino da Meditação Cristã. Esta foi uma nova forma de vida beneditina integrando monásticos e leigos com a prática da meditação em si, integrada com o Ofício Divino e a Missa. A partir daqui, nos últimos cinco anos da sua vida, John Main viu a expansão da sua visão de comunidade, que ocorreu pelo ensino desta tradição. Ele acreditava que "meditação cria comunidade". A Comunidade Mundial para a Meditação Cristã que cresceu a partir do seu trabalho continua a expressar a verdade da sua intuição para o nosso tempo.

Ele morreu com a idade de 56 em Montreal e está enterrado no Mosteiro Monte Salvador, Elmira, NY.

“Não há oração a tempo-parcial ou oração parcial como se o Espírito não estivesse sempre vivo no nosso coração. Mas há momentos, a nossa meditação duas vezes por dia, em que fazemos uma volta completa da consciência para esta realidade sempre-presente. Chegará um nível de vigília em que a nossa consciência desta realidade é constante, ao longo das nossas mais diversas actividades e preocupações.” (John Main)

Torna-se mais evidente a cada ano que a meditação, é um caminho de amizade e compaixão, constrói uma ponte espiritual entre povos de diferentes fés, entre ricos e pobres, e entre aqueles que sofrem conflitos ou divisão. As grandes perturbações sociais e psicológicas da chamada sociedade moderna clamam por uma mudança de mente e coração, por uma resposta contemplativa profunda. John Main acreditava que cada ser humano, qualquer que seja o seu estilo de vida, é chamado a essa profundidade espiritual e que os fundamentos da civilização assentam na consciência contemplativa.

Em 30 de dezembro de 2007, a 21ª. Liturgia memorial, com música de Margaret Rizza, foi celebrada na Catedral de Westminster, onde ele tinha cantado como um menino de coro.

                                               TECNICA DE MEDITAÇÃO CRISTÃ

O que é Meditação Cristã?
A meditação é fruto de uma sabedoria espiritual universal e uma prática que nós encontramos no centro de todas as grandes tradições religiosas, uma peregrinação da mente para o coração. É um caminho de silêncio, simplicidade e quietude. Pode ser praticada por qualquer pessoa onde quer que você esteja na jornada de sua vida. É necessário apenas estar seguro de seu compromisso com a prática e, em seguida, começar - e continuar começando.
No cristianismo, essa tradição tornou-se marginalizada e até mesmo esquecida ou suspeita. Mas nos últimos tempos uma grande recuperação da dimensão contemplativa da fé cristã vem acontecendo. De importância central para isto é a redescoberta de uma prática de meditação na tradição cristã que tem sua origem nos primeiros monges cristãos - os Padres e Madres do Deserto - e permite-nos colocar em prática os ensinamentos de Jesus sobre a oração de maneira radical e simples.
O Padre John Main, OSB tem um papel importante nesta renovação contemporânea da tradição contemplativa. Seus ensinamentos desta antiga tradição de oração está enraizada no Evangelho e da tradição monástica cristã do Deserto.

Como meditar?
Sente-se com a coluna ereta em quietude.
Feche seus olhos levemente.
Fique na posição sentada relaxadamente, mas alerta.
Silenciosa e interiormente, comece a repetir uma oração de uma única palavra.
Recomendamos a palavra oração "Maranatha".
Recite-a como quatro sílabas de igual duração.
Ouça-a enquanto a vai repetindo com suavidade, mas continuamente.
Não pense ou imagine nada - mesmo que seja de ordem espiritual.
Se vierem pensamentos ou imagens, considere-os apenas como distrações no período da meditação, e então volte apenas a repetir a sua palavra.
Medite a cada manhã e a cada fim de tarde por cerca de vinte a trinta minutos.
Oração de John Main para a Abertura do período da Meditação:

Divino Pai, ajudai-me a discernir a
silenciosa presença de Vosso Filho em meu coração
Conduzi-me àquele misterioso silêncio,
onde vosso amor é revelado a todos que O procuram.”
Maranatha. Vinde Senhor Jesus!


Obras de John Main:

A palavra que leva ao silêncio - Paulus Editora
Momento de Cristo -  São Paulo, Paulus Editora
O caminho do Não Conhecimento - Petrópolis Editora Vozes 2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PARA ENTENDER A "ATENÇÃO SEM ESCOLHA" DE KRISHNAMURTI!


https://www.youtube.com/watch?v=7BzNggnfASc
 

Existe um tipo de atenção que é desconhecida de quase todos. De tão sagrada e sutil, as pessoas tem grande dificuldade de entendê-la e encontrá-la - mesmo quando nos falam dela.  As grandes religiões, os grandes mestres- notadamente o Zen-budismo e o Taoismo- sempre falaram dela. Mas quem a encontrou? Quem a descobriu? Quem a viveu?

Este estado de “atenção especial”  é tradicionalmente conhecido como Meditação. Todavia, são tantas as definições, visões e métodos que tornou-se quase impossível descobrir o que ela realmente é, por isso, preferi usar hoje o termo “atenção” . Espero que não venha logo a lembrança da atenção do aluno em sala de aula, ou da atenção ao trânsito, ou a do pai que repreende o filho, ou de alguém assistindo a um filme , partida de futebol, ou estudando. Não. Esta atenção é especial. Talvez você nunca a tenha experimentado. Ela é de difícil percepção e definição.

Resolvi falar sobre ela, não como um “mestre” que encontrou a Iluminação. Mas como uma pessoa comum que teve a “graça” de amanhecer nesse estado sublime. Ontem, dormi ouvindo o áudio livro do J. Krishnamurti: a arte da meditação ( link no final do artigo). Não tenho dúvidas que isso motivou o surgimento desse estado  hoje pela manhã. Daí, vem a primeira grande questão: como surge esse estado? Como praticá-lo? Como produzi-lo?

Já falei sobre isso várias vezes. A meditação que se pratica em tempo e horário marcados, é um tipo de prática importante para a saúde física, mental e espiritual. Mas esse “outro” estado de atenção não pode ser praticado. É como se, de repente, você acordasse dentro de um sonho e percebesse que está dormindo em sua cama- mesmo sonhando. Alguns fatores parece desencadear isso: o ouvir , ler, conversar sobre o assunto-mas nada é garantido. Já dormi várias vezes ouvindo Krishnamurti antes e isso nunca havia acontecido. E Krishnamurti sempre fala sobre meditação, mesmo quando está abordando  outros assuntos como amor ou sexo.

Então qual é a diferença?

Passei boa parte da minha vida tentando entender esse estado, tanto para benefício dos outros quanto para meu próprio. Mas ele sempre escapa. Sempre o esquecemos. Sempre o perdemos. Quase ninguém o conhece, nem mesmo ouviu falar. E mesmo dos que ouviram, poucos o viveram. Mas eu digo: ele existe. E não se parece com nada do que ensinam os tais “gurus internéticos”.

Nesse estado há um silêncio- não forçado, nem absoluto- mas uma qualidade de silêncio, mesmo em meio ao barulho do pensamento. É como se nada pudesse atingi-lo ou tocá-lo, nem mesmo os pensamentos. Há também uma qualidade de relaxamento, de descanso, de não-esforço. O que remonta aos ensinamentos dos mestres taoístas e advaitas (não-dualistas). É fugaz  e ao mesmo tempo sólido, profundo, insondável. Foge à menor e mais leve tentativa da mente de dissecá-lo, entende-lo ou prendê-lo para uso posterior.

J. Krishnamurti passou uma vida falando somente sobre isso, mas muita gente não entendeu. O que, a meu ver, demonstra o quanto a humanidade está deficiente em termos de “atenção”- Ele a chamava de “atenção sem escolha”. Mas mesmo esse termo é confuso. Um amigo meu do Face achava que não poderia mais escolher entre o carro branco ou cinza metálico. Entre um sedan e um hatch. E quantos  não devem pensar assim?

Vou tentar explicar como entendi. Por que “atenção sem escolha”? Por que, quando você está nesse estado, não há direcionamento, o foco de sua atenção não pode ser direcionado, controlado. Você não vai escolher “prestar atenção” nisso ou aquilo. Quando se direciona, controla, ou escolhe, nesse momento, você reforça o centro que decide o que vai olhar, observar. Ora, mas não é esse o próprio centro de que se busca a libertação? Não é ele o “ego”, o divisor, criador do conflito? Por isso , é um estado integrador, sem direcionamento, sem recusa, nem aceitação.

Ele não é introspecção. Não é um “mergulho no interior”, pois quem vai mergulhar? Novamente a divisão. Quanto maior o esforço para “produzi-lo” menor as chances de encontrá-lo. Pois o “produtor de esforços”, que JK chamou de “experimentador/observador”, deve cessar para que “Aquilo” possa emergir, manifestar-se. Não há medidas. Não se pode dizer: é um estado profundo. Pois, quem irá dizer? Não está dentro, nem está fora. É algo sutil, depende muito mais de sensibilidade, do que de conhecimento.

É um estado de Paz? Digamos que sim.  Talvez seja a palavra mais próxima, mas mesmo ela é imprecisa. Nessa atenção não existe  a dualidade paz e conflito. Está além. Por isso é tão sublime e sagrado.

Não é à toa que JK sempre falava sobre a atenção de diversas formas, meios, linguagens, perspectivas. Hoje o entendo. E penso que raríssimas pessoas – mesmo os verdadeiros mestres- conseguiriam expressar a sutileza desse estado. Acho que todos eles se esforçaram. Palavras como Paz, Meditação, Nirvana, Atenção Plena, Wu-wei ( ação pela não-ação) foram esforços tremendos para expressar algo que realmente extrapola os limites da comunicação e da linguagem.

E o que resta ao buscador comum, sincero que deseja encontrar algo além da mente? Um emaranhado de gurus, livros, definições, conceitos que mais confundem do que esclarecem. Que mais prendem do que libertam. Que pesam em nossas mentes impedindo a leveza e a liberdade.

Talvez por isso,   acordei  hoje com a clara sensação de que deveria escrever sobre esse estado, sobre minha experiência com “isso”.

JK dizia que isso não pode ser praticado. E vejo que ele estava certo. Tentar praticar ou provocar isso resultará inevitavelmente ao fracasso. O que fazer então?

Mantenha-se tranquilo e aberto. Procure manter-se em paz e feliz, sem conflitos, desejos, expectativas ou ansiedades. Sonde sempre duas coisas: sua atenção e sensibilidade. Na atenção há sensibilidade. Ser sensível  aos seus pensamentos, às emoções, às impressões auditivas, olfativas e visuais . Não se tranque em si mesmo. Mantenha-se livre desde o começo. Talvez um dos maiores erros dos meditadores seja a ideia de que precisam se fechar, se isolar do mundo pra encontrar a paz. Essa paz que se isola me parece superficial e ilusória. A atenção é um estado de plena liberdade e harmonia entre o exterior e o interior. Sem divisões.

E por último: como está a qualidade de sua atenção? Esqueça os livros e gurus. Foque-se na qualidade de sua atenção. Sua mente está atenta? Como saber? Na atenção existe silêncio , liberdade e sensibilidade. Na atenção existe paz- além das definições- mesmo daquelas ensinadas pelos mestres.

E se um dia estiveres perdido, confuso e sem rumo... Experimente perguntar a si mesmo: como está minha atenção? Como está minha mente? Há silêncio, paz, sensibilidade e liberdade nela?

Se não houver, procure... até encontrar. Um dia, quando menos esperar, ela estará ali. Mas você tem que estar preparado para percebê-la. A bem da verdade, ela sempre está ali. Mas como percebê-la se vivemos eternamente ansiosos, buscando no tempo aquilo que está além dele?

JK costumava dar um exemplo fabuloso: a meditação é como brisa que entra pela janela. Você não pode provocar a brisa. Mas para senti-la tem que deixar a janela aberta e ficar atento para não perdê-la quando ela soprar.

Que nesse ano de 2016 você possa sentir a brisa da paz divina em seu ser. Não desejo que ela seja perene pois, se assim fosse, não seria a brisa do Eterno. O próprio desejo de mantê-la ou continuá-la faz cessá-la. Apenas deixe sua mente aquietar-se por si mesma. Na verdade, ela em seu centro, é quieta, imóvel. Você só precisa estar atento ao seu próprio movimento. Quando ela estiver inquieta- não faça nada. Apenas constate o fato e espere- sem ansiedades. Ela ira acalmar-se. E quando estiver calma- novamente não faça nada. Apenas constate e deixe ela à vontade. É nesse movimento de inquietude e quietude que você vai aprendendo a lidar com ela.

Trabalhe. Faça o bem. Encontre a felicidade na paz. E fique atento-sempre que se lembrar – uma atenção simples, serena, tranquila. Nada de atenção forçada. Esta não leva a muita coisa. O resto deixe por conta da Vida, de Deus, do Universo!

Feliz 2016 a todos os leitores, amigos e visitantes do Blog. Fecho 2015 com a sensação do dever cumprido .

Até a próxima!

Namastê!

Alsibar
Link para o audio livro: a arte da meditação de J. Krishnamurti
 

domingo, 25 de outubro de 2015

O Caminho Direto (Vichara Marga) de Sri Atmananda Krishna Menon




Muitos consideram que Atmananda Krishna Menon foi um dos três titãs do ensinamento advaita do século XX, uma pequena lista na que também se incluem a Ramana Maharshi e Nisargadatta Maharaj.

Krishna Menon nasceu em 1883 em Peringara, próximo de Tiruvalla no estado de Travancore (agora parte do atual Kerala). Com a idade de 10 anos, Krishna Menon foi visitado por um sábio, um sannyasin que lhe deu japa, uma iniciação em forma de mantra ioga. Praticou durante vários anos sem êxito, regressou à escola e, enquanto permanecia na cama desperto pelas noites atormentado pela necessidade de Deus, de repente se encontrou com o mesmo sannyasin que havia conhecido quando era criança e lhe disse que logo encontraria a um mahatma.
Depois de completar seus estudos de leis, se converteu em advogado do governo e inspetor de polícia.

Se diz que Krishna Menon rezou intensamente durante muito tempo para encontrar a um verdadeiro sat-guru, um autêntico mestre ou rishi/santo iluminando. Finalmente, isto conduziu ao seu primeiro encontro em Calcutá com um Swami Yogananda, que não deve confundir-se com Paramahansa Yogananda, o guru que tornou conhecido a muitos ocidentais o Kriya Ioga e a meditação.
Seu encontro durou somente uma noite, porém alterou o curso de sua vida. Depois deste encontro começou a praticar Bhakti Ioga e Raja Ioga, assim como jnana ioga, o caminho do conhecimento, Krishna Menon realizou o Ser em 1923, chegando a ser conhecido como Sri Atmananda. Mais tarde, depois de começar a ensinar, ele utilizou unicamente o jnana ioga, criticando abertamente os iogas Bhakti e Raja.

Ele dizia que sua carreira profissional lhe auxiliou a descobrir a Verdade, já que uma profissão dentro da polícia ou o exército oferece uma base ideal para uma prática espiritual, porque esta profissão oferece em particular o máximo de obstáculos e tentações. Isto é particularmente importante para os estudantes ocidentais, que vivem numa cultura moderna de distração e tentação que não tem comparação.

Sri Atmananda Krishna Menon influenciou profundamente muitos ocidentais, incluindo a John Levy, que escreveu A Natureza do Homem Segundo o Vedanta relacionado com o enfoque de Atmananda, e Wolter Keers, o estudante holandês de Sri Atmananda e Ramana Maharshi. Ananda Wood, um discípulo direto de Sri Atmananda Krishna Menon, também escreveu extensamente sobre ele.
Sri Atmananda foi uma importante influência para Jean Klein e, através dele, para seus estudantes, incluindo a Francis Lucille. Francis Lucille por sua vez influenciou Rupert Spira.

Alguns ensinamentos de Sri Atmananda Krishna Menon

"Como podem pensamentos que nascem e somem em mim, ser diferente de Eu mesmo? Quando há pensamentos, eu estou Me vendo mesmo; quando não há pensamentos, estou permanecendo na Minha própria glória."

"A Verdade é aqui e agora. Assim é em toda parte. Se não for encontrada, em primeiro lugar, aqui e agora, ela não será encontrada em nenhum outro lugar e em nenhuma outra hora."

"Por mais que você possa tentar matar o eu, ele só vai se tornar mais forte. Então você tem que abordá-lo do outro lado. Todo mundo entende, apesar do eu. A verdade é que o eu morre automaticamente quando você entende alguma coisa. Você nunca terá sucesso em trazer à luz para dentro, se você insistir em retirar toda a escuridão de seu quarto, antes! Por isso, simplesmente ignore o eu e tente entender, e o entendimento em si vai remover o eu."

"O mundo bilha por causa da Minha luz: sem Eu, nada é. Eu Sou a luz na percepção do mundo."
"O esforço humano consiste em criar escravidão para si, se agarrando bem forte a ela, e querendo se tornar livre, sem abandonar a escravidão em si."

"Você é um ser humano? Defina um ser humano. Um ser humano é uma mistura incongruente de corpo, sentidos e mente, junto com o 'Eu'-Princípio. Todos, exceto o 'Eu'-Princípio estão mudando em cada momento. Mas você vai admitir que você é este 'Eu'-Princípio. Como o 'Eu"-Princípio, você fica como o fundo permanente que liga todas essas mudanças que vêm e vão. Este 'Eu'-Princípio é diferente e separado do corpo, dos sentidos e da mente, quais estão em fluxo contínuo. Aonde está o ser humano, durante o sono profundo, quando você não tem corpo, sentidos ou mente? Certamente em lugar nenhum. Ainda assim, Você está lá como aquele 'Eu'-Princípio. Portanto, você não é um ser humano, mas um princípio - imutável e permanente. Como tal, você pode entender a Verdade além de tudo."

"Deus é apenas um conceito, embora seja o (conceito) mais alto que a mente humana pode criar. Mas você não é um conceito."

"Vichara-marga (o caminho direto), é a remoção da mentira por argumentos - deixando, apenas, a Verdade Absoluta como o Eu Real."

"Para a alma individual (eu) tudo está no exterior. Para Deus, tudo está dentro. Para o Sábio (Jnanin), não existe nem dentro nem fora. Ele está além de ambos."

"Quando você olha minuciosamente, você vai achar que ele não estava lá. O executor não estava lá; o pensador não estava lá, o observador não estava lá; o desfrutador não estava lá; o sofredor não estava lá, mas tudo está no fundo; na fonte."

"Ao falar sobre a Verdade, você (o eu) deve deixar de falar, e permitir Ele (a Verdade ou o Eu Real) falar, ou se expressar, em sua própria língua."

"Todos os métodos dos Upanishads tentam separá-Lo do Anatma e estabelecê-Lo no Atma. Mas aqui, de acordo com o método direto, é mostrado que você nunca pode fugir nem da sua própria sombra, nem da sua realidade. Peço só para vocês olharem profundamente ao que vocês chamam de Anatma, e ver além de qualquer dúvida, que isso é apenas o próprio Atma, a Realidade."

"Será que eu sou o corpo, os sentidos ou a mente? Não. Se eu proclamar de ser 'alguma coisa', aquilo deve ser comigo onde quer que eu vá. Fazer, pensar, perceber e sentir não vão comigo onde quer que eu vá. Apenas 'Sabendo' é sempre comigo. Então, eu estou o Saber da Consciência sem igual. Eu sou aquilo sempre, e eu sou desprendido. Eu posso ser apenas aquilo o que permanece quando o objeto ou parte ativa está separada do percebedor, da percepção, ou do percebido."


Fontes: Advaita Vision, Advaita Info e o livro Notes on Spiritual Discourses of Shri Atmananda

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